2º ano – Ensino Médio – Aulas 4, 5 e 6

Olá pessoal!

Infelizmente tive problemas de ordem pessoal e num pude comparecer por duas semanas seguidas.

Segue abaixo o resumo das aulas 4, 5 e 6!

[]‘s

Prof. Jânice

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Aula 4:

Segue o link para a aula do dia 14/03/2011

http://www.4shared.com/document/bYsq4Fu2/o_estrangeiro_do_pto_vista_soc.html

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Aula 5:

Aculturação e Assimilação

O que significa o termo aculturação? Esse termo foi criado em 1880 por um antropólogo chamado J.W. Powell para designar as transformações dos modos de vida e pensamento dos imigrantes em contato com a sociedade norte americana.

A aculturação não significa deculturação. O a no inicio da palavra vem etimologicamente do latim ad, que significa movimento de aproximação.

Com o passar do tempo, a palavra se transformou em conceito para explicar o contato entre diferentes povos. E a partir de então, o termo passa a significar:

“A aculturação é o conjunto de fenômenos que resultam de um contato contínuo e direto entre grupos de indivíduos de culturas diferentes e que provocam mudanças nos modelos (patterns) culturais iniciais de um dos dois grupos.” (Dennys Cuche)

A aculturação:

1. Não é sinônimo de mudança cultural: toda cultura muda. Não há cultura que permaneça estática, que não se transforme, pois a cultura é um eterno processo. Mudança cultural é parte de toda cultura, entretanto algumas mudam mais rápidos, outras, mais devagar. As culturas mudam não só devido a causas externas, ou seja, não mudam apenas pelo contato com outras culturas mas também devido a fatores internos à própria cultura;
2. Não é apenas difusão de traços culturais: Ela é um processo maior e mais complexo do que a difusão de traços e características que pode ocorrer sem que povos entrem em contato direto entre si. Por exemplo, por meio de livros, revistas, etc. Mas a aculturação pressipõe justamente o CONTATO DIRETO de pessoas de diferentes grupos;
3. Não pode ser confundida com assimilação: Povos aculturados não são necessarimanete assimilado pois nem todo processo de aculturação resulta necessariamente na assimilação total de um grupo por outro. Ela deve ser compreendida como a última fase da aculturação.

A assimilação total de um grupo por outro é muito difícil de ocorrer e assim, a aculturação na grande maioria das vezes, ambos os grupos se modificam. Dificilmente um dos grupos se acabam. Os novos costumes ou características são sempre internalizados por ele de acordo com sua lógica interna. Apesar das modificações, a lógica interna permanece muitas vezes. Com isso, mantém-se a forma de raciocinar do grupo.

Um exemplo é o uso da calça jeans e a camiseta como um uniforme por todos os jovens não faz com que eles pensem da mesma forma ou que deixem de ter seus valores de acordo com a cultura que estão inseridos. O que não significa que não sejam influenciados pelos valores de outras culturas.

É verdade também que às vezes as mudanças são tão intensas que pode ocorrer de o grupo realmente acabar.

O processo de aculturação quase se dá dos dois lados; é por isso também que há autores que vão criticar a idéia de aculturação, que o processo é recíproco, mesmo que raras vezes seja simétrico. Normalmente é um processo assimétrico: uma cultura quase sempre se transforma mais do que a outra, pois não estão em pé de igualdade;

Na Era Vargas, os estrangeiros aqui residentes foram proibidos de falar suas respectivas línguas, seus jornais foram fechados e muitos locais tiveram que mudar seus nomes. Durante esse período, os estrangeiros que aqui viviam foram forçados a passar por um processo de assimilação da cultura brasileira. Isso aconteceu mais intensamente com os japoneses e alemães, pois o Brasil estava em guerra com esses países (Segunda Guerra Mundial).

Quem tiver curiosidade, acesse o site do Clube 22 de Agosto. Ele passou por esse processo da Era Vargas de assimilação.

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Aula 6:

A relação entre estabelecidos e outsiders.

Estabelecidos e Outsiders foi estabelecido pelo sociólogo Norbert Elias, na sua análise das tensões acorridas na pequena cidade de Winston Parva(nome fictício). Seu texto é importante, pois ajuda a compreender e refletir sobre a pequena Winston Parva, mas nos ajuda a pensar o Brasil e algumas das tensões que aqui existem.

Quem foi Norbert Elias?

Norbert Elias nasceu na cidade de Breslau, em 1897, na antiga Alemanha. Atualmente, a cidade se chama Wroclaw e fica na Polônia (mudança ocorrida após a Segunda Guerra Mundial). Elias, portanto, se considerava alemão e considerava Breslau uma cidade alemã.

Era filho de judeus. Primeiro estudou Medicina, depois Filosofia e por fim se interessou por Sociologia. Com os ânimos exaltados na Alemanha e a Segunda Guerra Mundial quase começando, foi para a Inglaterra com medo das perseguições que já ocorriam na Alemanha, pois além de ser judeu, era estudante de Sociologia.

Seu primeiro livro foi publicado em 1938 e passou os 30 anos seguintes esquecido.

Elias viajou depois por vários países, tendo morado até na África, onde lecionou na universidade de Gana.

Ele sempre foi um outsider na academia, isto é, sofreu preconceito e só conseguiu o reconhecimento pela sua obra tardiamente, quando beirava os 70 anos.

O livro:

Publicado pela primeira vez em 1965, Os Estabelecidos e os Outsiders foi escrito em parceria com John L. Scotson. Nele, Elias faz uma pequena análise de Winston Parva(Inglaterra). A princípio, seu estudo era sobre os diferentes níveis de delinquência encontrados entro o lado novo da cidade e o antigo. Mas no decorrer da pesquisa, ele mudou seu objeto para  as relações entre os bairros. Sua decisão de mudar de objeto se mostrou acertada, pois as diferenças entre os níveis de delinquência praticamente acabaram no terceiro ano da pesquisa. O bairro mais antigo, contudo, continuava vendo a nova área como local de delinquência. Elias verificou que naquela pequena localidade encontrava-se um tema universal: como um grupo estabelecido estigmatiza um outro grupo, tratando-o como outsider.

O termo outsider não tem uma tradução muito fácil para a língua portuguesa. Literalmente significa “de fora”, ou seja, alguém que veio de outro lugar e não é membro original do grupo, não se encaixa muito bem nele. Mas dizer em português ele é um “de fora”, ou alguém fora do grupo soa um tanto quanto estranho aos nossos ouvidos. É por isso que o termo não é traduzido e usa-se a expressão em inglês.

Os estabelecidos consideram-se humanamente superiores, isto é, os grupos poderosos veem-se como pessoas melhores. A inferioridade de poder é vista como inferioridade humana, e por isso recusam-se a ter qualquer contato maior com os outsiders que não seja meramente o profissional.

Isso ocorre porque os estabelecidos acreditam que são dotados do que Elias chama de “uma espécie de carisma grupal”, um tipo de qualidade que faltaria aos outsiders.

Mas o que leva a isso? Quais fatores que consideram que podem levar um grupo a hostilizar outro? Elias percebeu que a questão da relação entre estabelecidos e outsiders normalmente é explicada como resultado de diferenças raciais, étnicas e religiosas, mas que Winston Parva os grupos não diferiam entre si pela nacionalidade, ascendência étnica, cor ou tipo de ocupação. Logo o que estava em jogo naquela pequena cidade e o que está em jogo numa relação entre estabelecidos e outsiders não é a diferença de cor, religião ou qualquer outra entre os grupos, mas sim, as diferenças de poder.

Elias nos mostrou que o problema nessas características que podem diferenciar os grupos, mas sim no fato de que uns grupos têm mais poder e acham por isso que são humanos melhores que os outros. Esses grupos que têm mais poder usam essas diferenças porque se veem superiores. A questão é a diferença no equilíbrio de poder entre eles. Ou seja, em ultima instancia, não é a cor, a religião, nacionalidade, etc, que faz um grupo ver outro como inferior, mas sim o fato de que eles detêm um poder maior do que o outro e assim, usam esses fatores como justificativa para manter esse poder. Isso tanto pode ser feito de forma inconsciente como consciente, ou seja, um grupo pode manipular as características de outro de forma negativa a seu favor, de propósito, como pode fazer isso de forma inconsciente.

No caso da cidade estudada por Elias, a única diferença está entre as duas áreas era o tempo de residência: um grupo estava lá havia duas ou três gerações e o outro chegara recentemente. A superioridade ali, não tinha a ver com poder militar ou econômico, mas sim com o alto grau de coesão das famílias. Desta forma, eles conseguiam se organizar para obter os melhores cargos nas organizações locais, como o conselho, a escola, o clube e assim, excluíam os outros que não tinham coesão entre si. A coesão de um grupo está relacionada ao grau de integração do grupo. Os moradores mais antigos eram, portanto, profundamente integrados.

Mas o que leva a essa integração? O que leva a essa integração é a aceitação quase irrestrita das regras do grupo, ou seja, os coesos são aqueles nos quais seus participantes aceitam quase que totalmente as regras do grupo.

Elias percebeu que o grau de coesão de um grupo interfere nas relações de  poder  entre esse grupo e o resto da sociedade. Pois um grupo coeso consegue atingir seus objetivos de forma mais rápida e eficaz do que aquele cujo grau de integração é menor.

O grupo outsider é muitas vezes estigmatizado e isso ocorre deve ao grande desequilíbrio de poder entre os grupos. Um grupo só consegue estigmatizar outro quando as relações de poder tendem claramente para o seu lado. Isso expressa o fato de que o equilíbrio de poder entre os grupos é muito instável, afinal um deles precisa deter muito mais poder do que o outro para que consiga estigmatiza-lo e assim dizer que o outro tem valor humano inferior como  forma de manter sua superioridade.

Mas o estigma não pode ser confundido com preconceito, pois a questão não é individual e sim social, há uma diferença entre preconceito individual e estigmatização grupal. A estigmatização é um processo social. Lá as pessoas eram estigmatizadas  não pelas suas qualidades ou defeitos individuais, mas sim por serem membros de um grupo malvisto, considerado inferior.  O grupo dos estabelecidos de Winston Parva havia desenvolvido um estilo de vida e um conjunto de normas partilhadas pelos seus membros, mas tais normas eram desconhecidas pelos membros da parte da nova cidade.

Um exemplo relativamente próximo a nós, é o morador da favela. Infelizmente em nosso país, o morador da favela é estigmatizado com certa frequência pela sociedade. Muitas pessoas acham que TODOS que moram na favela são ladrões ou pessoas que não querem trabalhar, entre outras características negativas.

O termo favelado é usado como xingamento e não apenas para designar a pessoa que mora na favela. É usado até entre não favelados, para desqualificação do outro, favelado ou não, ou seja, eles sofrem o que Elias chama de “desonra grupal”. Com isso, as pessoas que moram na favela são sistematicamente depreciadas sem ter chance de mostrar que não se enquadram neste estereótipo, pelo simples fato de pertencerem ao grupo estigmatizado.

[]‘s, bons estudos e até sexta feira (06/5)

Prof. Jânice

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Sobre sociologiabentodeabreu

Professora de Sociologia no Ensino Médio e estudante de graduação em Sistemas de Informação, na Universidade Federal de São Carlos.
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